Vencedoras por opção - Jim CollinsLeio na revista Exame, edição 1013, em reportagem intitulada “Crescer demais faz mal”, um trecho do livro “Vencedoras por opção”, de Jim Collins, considerado por muitos um guru.

A tese central do livro, ao que me parece, é que as empresas que vencem a longo prazo são as que mantém uma meta de crescimento constante (o título da obra deveria ser outro, portanto). Isto é, controlam sua ambição, mesmo quando surgem oportunidades de crescimento grandioso e rápido. Segundo Jim Collins, as empresas que tentam dar passos grandes demais acabam perdendo sua cultura, seu norte, neste processo.

Esta reportagem é do tipo que eu absorveria sem discutir, se não houvesse lido “Tudo é óbvio – desde que você saiba a resposta”, de Duncan J. Watts.

“Tudo é óbvio” é um livro fundamental. Tão fundamental que não será fácil fazer uma resenha para ele. Mas tentarei, no futuro.

Mas como “Tudo é óbvio” detona “Vencedoras por opção”? A pergunta fundamental que Duncan J. Watts faria é: até que ponto Jim Collins partiu de uma tese pronta para só então encontrar (ou divulgar) apenas os dados que a favoreciam? Será mesmo que nenhuma grande empresa cresceu em grandes saltos?! Nenhuma?! Parece difícil acreditar…

Até que ponto há ciência, e não uma bela história em um livro destes, portanto?

Estou dizendo que Jim Collins está completamente enganado? Obviamente que não. De fato, ele estudou várias empresas, analisou seus resultados por vários anos. Deve haver algum sentido no que diz…

O problema com sua tese é que ela leva à seguinte conclusão: o crescimento errático, ocasionalmente grandioso, é necessariamente ruim – e, talvez possamos pensar isto também, o crescimento constante e modesto é sempre bom.

Ora, quantas empresas destas constantes não devem ter sido engolidas por outras que se agigantaram? Porém, como estas não sobreviveram, não são casos de estudo para Jim Collins…

Tais reflexões servem não apenas para administração de empresas, mas também para a vida cotidiana. Imagine que você é sedentário e resolva que, daqui há dois anos, irá correr uma maratona. Precisará então correr, a cada mês, 1,75 km a mais que no mês anterior, para ao final do prazo consegui fazer os 42 km de uma maratona. Porém, no terceiro mês, você está se sentindo capaz de correr 10 km, ao invés dos 5,25 previstos em sua planilha. Consegue correr os 10, não tem nenhum lesão e, no próximo mês, correrá 11,75. Qual o problema?! Sim, você poderia ter se lesado. Mas também poderia não ter! A lesão não é lei!

A não ser que Jim Collins nos prove que todos (todos!) os que deram grandes saltos se machucaram… Penso, porém, que o que ele faça em seu livro seja mostrar apenas os que deram tais saltos e tiveram uma grave distensão que os deixou meses de cama…

Um conselho? Se tiver tempo para ler apenas um livro, leia “Tudo é óbvio”. Se tiver tempo para os dois, leia o de Jim Collins (que não deve ser ruim) apenas após ler o de Duncan J. Watts.

 
O que aconteceu na Terra?O título do livro é estranho: O Que Aconteceu na Terra? – mas a escolha é compreensível: possivelmente o editor da obra quis diferenciá-la de outras de conteúdo semelhante, invariavelmente intituladas História do Mundo, História do Universo etc.

A capa também não ajuda: infantilóide, não condiz com um livro de quase 400 páginas, em letras pequenas, com não muitas ilustrações. Não é um livro infantil ou juvenil. É um livro para adultos que desejam entender o mundo. E quando se diz, aqui, mundo, não estamos falando dos dias de hoje, dos conflitos no Oriente Médio… Ou não apenas isto. Muito além disto. O subtítulo do livro de Christopher Lloyd anuncia: A História do Planeta, da Vida & das Civilizações, do Big Bang Até Hoje.

De fato, o humano só entrará nesta história por volta da página 100.
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3096 Dias - Natascha KampuschUm dia antes de ver A Árvore da Vida eu havia lido o não-ficção 3096 Dias, de Natascha Kampusch, que foi sequestada aos 10 anos por um psicopata e apenas aos 18 conseguiu fugir do cativeiro. Meu Natal foi produtivo…

O que acho interessante quando consumo algumas obras significativas em sequência é que comumente uma influencia a interpretação da outra. Leituras diferentes que não aconteceriam se as obras tivessem sido vistas com um bom intervalo de tempo a separá-las.

3096 Dias é sobre viver em cativeiro. E sobre a quase inevitável empatia que o sequestrado desenvolve pelo sequestrador. Mas o ótimo livro de Natascha Kampusch é mais que isto. Escrito quatro anos após sua fuga (na verdade, creio mais que ela contou sua história para alguém que realmente redigiu o livro), ela também narra a dolorosa percepção que, mesmo livre, ainda estava presa. Pelo excesso de zelo, de alguns, que queriam até que mudasse de nome e se escondesse! Pelos que queriam ver nela agora apenas uma coitadinha, quando o que ela mais desejava seria poder se impor como uma pessoa consciente e ajustada. A liberdade se mostrou apenas um cativeiro maior, para Natascha Kampusch, do que o cubículo onde dormia quando estava sequestrada. Um cativeiro do qual só agora ela começou a se libertar.
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