Os analistas do futebol são unânimes: Messi é um excelente jogador; o Barcelona é uma excelente time, com uma maneira nova e especial de atuar; Josep Guardiola, o técnico do time, é o responsável por este colosso todo.

O argentino Messi vem quebrando recordes e marcando dois ou três gols em muitos dos últimos jogos.

Andrés Sanches, atualmente diretor de seleções da CBF, deu uma declaração que vai de encontro a tudo o que se diz do Barcelona.

Segundo Andrés Sanches: “Isso aí de que o Barcelona tem uma escola de futebol, que todo mundo joga igual, é tudo balela. É fase. O que eles ganhavam cinco, seis anos atrás? Nada. E o que vão ganhar daqui cinco, seis anos? Nada, porque Xavi, Iniesta, Messi e tudo mais vão parar de jogar.”

Ou seja, para Andrés Sanches, a diferença está nos jogadores, e não no técnico ou no time.

É um modo de se ver as coisas. Andrés Sanches pode estar errado ao tomar este partido. Talvez os mesmos jogadores, em outro esquema tático, não rendam tanto.

Mas ele não está errado em tomar partido. Está mais certo do que os que elogiam o técnico, o time e Messi ao mesmo tempo.

Vejamos o motivo. Peguemos um jogo hipotético qualquer, em que o Barcelona ganhou de, digamos, três a zero, com três gols de Messi. Se o crítico fala que Messi “fez a diferença”, então está dizendo, sem dizer, que o time não é tão mágico assim. Por outro lado, se o elogio é feito ao time, que colocou com facilidade Messi na cara do gol, está se dizendo, novamente sem dizer, que Messi não é o diferencial.

Isto é, o mérito de um não pode ser o mérito do outro! Se o time fez três gols, dois talvez se devam ao time e um apenas ao talento de Messi, ou os três ao time, ou os três a Messi etc. Ou os dois últimos gols foram méritos de Guardiola, que fez uma substituição que mudou o jogo etc.

O que não se pode é atribuir os três gols para o Barcelona, para Messi e para Guardiola ao mesmo tempo! E é o que os comentaristas de futebol fazem.

(Comentarista de futebol, eis uma profissão que acho curiosa. Principalmente os comentaristas de pequenos campeonatos estaduais brasileiros. O sujeito se desespera por causa de um time que joga a segunda ou terceira divisão do campeonato nacional! Leva aquilo à sério. Quase infarta no ar… É ter a vida muito resolvida gastá-la com um assunto tão importante…)

 

Túlio Maravilha continua sua busca incansável pelo milésimo gol. Tem feito de tudo para isto. Joga em qualquer time. Conta gols que marcou em amistosos. Conta-se que dá alguns reais a colegas que lhe deem um passe que resulte em gol…

Túlio Maravilha abandonou até mesmo o cargo de vereador em Goiânia para persistir em busca do gol número mil.

Se eu fosse o técnico de um time adversário, faria o seguinte. Perguntaria a Túlio: quantos gols te faltam para o mil? “Quinze”, diria hoje.

Então, ainda como técnico, diria a meu time: deixemos ele marcar logo estes 15. “Pronto? Satisfeito? Vamos jogar bola agora?!”

Que mérito tem uma marca que não é natural, mas tão forçada? Apenas Túlio se vangloriará dela. Porque, para quase todo mundo, esta busca insana já virou motivo de chacota…

Em uma notícia recente sobre Túlio, em que dizia-se que ele procurava um time, um comentarista disse: “Tem um time do sobrinho da minha mulher, ele pode jogar lá com a garotada de 05 anos.Quem sabe…” #euri

A saga de Túlio, quando completa, será quase igual a ganhar um jogo roubando. Qual o mérito, qual a graça? Mas, enfim, se Túlio ficará feliz assim, que seja (logo) assim…

 

Mike Krieger, brasileiro criador do Instagram, está na capa da revista Veja de 11 de abril de 2012. A reportagem “Eles nasceram no futuro”, em que Mike Krieger é o carro-chefe, é sobre jovens que obtiveram sucesso na vida digital.

Na verdade, quem teve a ideia para o aplicativo de fotos que se tornou o Instagram foi um colega de de Mike (que, também na verdade, se chama Michel). O Instagram, embora a chamada de capa da revista fale de “revolução digital”, novamente na verdade nada tem de revolucionário.

O Instagram é um aplicativo que, basicamente, aplica alguns efeitos a fotos. Efeitos estes que qualquer programa gratuito de edição de fotos poderia aplicar – programas que, aliás, permitem que se faça muito mais que aplicar os populares efeitos de envelhecimento da imagem do Instagram.

Ou seja, o Instagram oferecia menos do que já existia! Porém, os programa de edição de imagens, como o Photoshop, são pesados, complicados e não foram desenvolvidos para smartphones. O Instagram simplifica tudo isto e nasce voltado para o usuário do iPhone.

Foi uma criação que teve sucesso, mas que também poderia não ter tido, por diversas razões. Porém, como deu e hoje a empresa de Mike é avaliada em 500 milhões de dólares, ele é apontado como um gênio.

Este texto não é, na verdade, sobre Mike ou sobre o Instagram. É sobre o conceito de gênio. Um questionamento sobre este conceito.

Nossa sociedade mede a genialidade pelo resultado financeiro, e não pelas capacidades intelectuais do indivíduo. Se a empresa de Mike vale meio bilhão de dólares, ele só pode ser um gênio. Por outro lado, um filósofo que escreva um livro muito profundo sobre a natureza humana, um livro tão profundo que seria incompreensível para a maioria dos mortais, um livro que não venderia nada, e por isto nenhum editora nem quis publicá-lo, este filósofo terminará sua vida no máximo como um obscuro professor universitário e o mundo jamais o chamará de gênio.

O Ipad vende como água em dia de calor, logo, Steve Jobs é um gênio. E isto é dito como se ele fosse o único responsável pelo produto ser o que é, isto, como se ele fosse o designer, o programador, o gerente de marketing etc. Ninguém mais trabalhou naquele produto… O presidente de uma grande empresa que cria produtos, como a Apple, depende, na verdade, do trabalho criativo de dezenas de outras pessoas. Mas só o big boss leva a fama.

Não que Mike Krieger não seja um gênio. O sucesso do Instagram tem a ver até com sorte. Mas a mesma reportagem conta que, antes, ele desenvolvia um programa que mapeava os locais mais perigosos da cidade onde morava. Uma ideia útil e a capacidade de desenvolvê-la: isto é genial!

Ganhar meio bilhão de dólares, nem sempre. Pode até ser obra do acaso. Eis a verdade.

Facebook compra Instagram

Após ter escrito este texto, vejo a notícia de que o Facebook comprou o Instagram. O valor não foi divulgado.

Esta venda também foi um grande ato de esperteza. O mundo digital é tão volátil que o Instagram poderia valer alguns bilhões daqui a uns dois anos, mas também poderia não valer mais nada. Nada mal embolsar logo algumas centenas de milhões e partir para a próxima, já que o Instagram, apesar da estimativa de valor, ainda não era um negócio lucrativo…

Genial!

 
A revista Alfa de fevereiro de 2012 (com Bill Gates na capa) traz uma reportagem intitulada “A volta do macho”, onde se afirma que o movimento retrossexual está na moda.

O que é o retrossexual? Em tese, o oposto do metrossexual. Mas o que é metrossexual? É aquele ser nascido do sexo masculino excessivamente vaidoso e que tem comportamentos que, até há pouco tempo, era reservado às mulheres, como fazer sobrancelhas e unhas, depilar-se, passar cremes para a pele etc.

Há muitos metrossexuais que afirmam que não são homossexuais. “Apenas gosto de me cuidar, de estar bem comigo mesmo”, dizem.

O retrossexual é o homem antigo. É desleixado e seu símbolo atual, segundo a revista, é uma barba mal-feita.

O modelo Tony Ward, hoje com 48 anos, é citado como um homem “sujo” e, portanto, um bom exemplo de retrossexual – em oposição ao metrossexual mais conhecido, o jogador de futebol David Beckham.

Cita ainda a Alfa grifes que trazem roupas com “golas e punhos batidos”, roupas “sem tecidos frágeis”, com furos.

O curioso, e contraditório, é justamente o fato de o retrossexual estar em evidência.

A melhor frase da reportagem é: “Tony Ward é um sujeito que se cuida – e, ao mesmo tempo, não liga pra isso.” Ora, se não liga, por que se cuida? Se se cuida, como se pode dizer que não liga?

Como se cuida, se tem barba grande e é sujo e largado? Ah, sim: o retrossexual de revista é aquele que é assim intencionalmente…

Conscientemente desleixado.

Retro: do latim para trás.

Em resumo: o retrossexual é o mesmo lado da moeda do metrossexual…

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Mea culpa: sim, ler Alfa (e eu a assino) ou qualquer outra revista masculina é um sintoma justamente de falta de masculinidade.

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