Assisti a A Árvore da Vida, lançado há alguns meses, apenas agora, no Natal.
Havia lido algumas críticas sobre o filme, dirigido por Terrence Malick e com Brad Pitt supostamente no papel principal, críticas que me fizeram pensar que a obra seria daquelas que despertam ou amor ou ódio.
Fala-se muito, nestas resenhas, das supostamente longas cenas que mostram o universo em expansão, planetas nascendo, vulcões em erupção, dinossauros… Dinossauros! Dinossauros!
Com certa expectativa, então, apertei o play. Achei que iria amar o filme, afinal, não sou o fã número 1 do cinema convencional.
Não amei A Árvore da Vida. Mas também não odiei. Gostei, apenas. (Mesmo assim, ainda acho interessante a ideia de começar meu blog falando de um filme polêmico.) É bom. Daria-lhe umas três ou quatro estrelas em um máximo de cinco.
É fácil entender por que o público mediano lhe daria zero ou cinco (mais provavelmente, zero). Alguns comentários que li em um site de resenhas: “Filme monótono, confuso.”, “Com certeza o PIOR filme que já assisti!”, “Não entendi nada!”. O filme realmente destoa do comum e muitas pessoas devem ter saído da sala de cinema antes de uma hora de exibição.
Porém, é difícil entender o burburinho criado pelos críticos, já que a película destoa muito pouco do comum. Mas e os planetas, os dinossauros? Dinossauros! Estão lá tais cenas, mas não são tão longas assim. Depois de uma meia hora, a história principal começa a engatar e praticamente não vemos mais vulcões em erupção. E então a obra vira um filme comum. Também não entendi, portanto, os poucos que o amaram incondicionalmente (Zeca Camargo, em seu blog, um dos meus preferidos, disse que chorou quatro vezes durante o filme) – estranhamente, mesmo dando nota quatro ao filme, compreendo mais os que o odiaram. Achei a obra um bom filme quase comum.
Cujo enredo gira, a meu ver (porque tantos quiseram discutir o sentido do filme, como se existisse algo em alguma obra além do que é dito), em torno de um adolescente começando a perceber e ter que lidar com as contradições da vida. Seu pai é interpretado por Brad Pitt, mas o papel principal, verdade seja dita, é o do adolescente – cujo ator, Hunter McCracken, nem mesmo tem o nome na capa do filme. Quem o tem é Sean Penn, que vive o garoto nos dias atuais e, em crise de meia-idade, relembra aquela infância supostamente tumultuada.
Porém, os conflitos do adolescente são mais do que comuns. A mãe é amorosa e paciente. O pai também é amoroso, mas é rígido. Onde está o verdadeiro drama? Mais dentro da cabeça do garoto do que no ambiente que o circunda. Até porque naquele passado os pais eram mesmo muito mais durões do que os de hoje.
O que salva o filme da mesmice, portanto, é justamente sua poesia, dada pela leveza etérea da mãe do adolescente (vivida por Jéssica Chastain, que encarna A Pureza Ruiva – não deixemos ela visitar aquele país de Born Free, clipe de M.I.A onde se matam ruivos por esporte…) – e justamente pelos vulcões e dinossauros, que expandem a história, a tornam mais universal do que já é.
Zeca Camargo não é crítico oficial de cinema. E é muito sensível – característica essencial para tornar perfeito o antepenúltimo parágrafo de sua resenha (leiam!). Mas tanta sensibilidade vinda de críticos profissionais, não entendi. Ver filmes demais não deveria torná-los imunes a isto? Terrence Malick foi ousado, mas não é isto que se espera de cineastas? Ou o choque é justamente porque a coragem anda meio sumida das telas? Devemos dar cinco ou seis estrelas a um filme apenas porque quase tudo que se anda fazendo merece apenas uma ou duas?
Ressalva: admito que, ao rever o filme, eu possa rever esta crítica. É o tipo de filme que, sei, permite isto. Mais meia estrela a ele, por isto. Um dia, daqui a muito tempo, o reverei.
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PS: de certa forma, a resenha do livro 3096 Dias, de Natascha Kampusch, complementa esta crítica de A Árvore da Vida.
[...] o que têm 3096 e A Árvore da Vida (leia a crítica) em comum? Jack, o personagem vivido por Hunter McCracken em A Árvore…, [...]